31.7.09

Dispenso dançar no culto.  

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Li esse texto no blog do Augustus Nicodemos e sinceramente concordo com ele sobre a chamada "dança liturgica", ou "dança espiritual". Não tenho nada contra a dança em si. Só não acho correto usar isso no culto público ou como "adoração", como dizem muitos que são a favor de tal recurso para o culto. Creio que o culto deve ser bíblico, sem modismos e invencionismo. Não sou adepto do "Princípio Regulador de Culto", que para mim é radicalismo irracional e legalista tão místico como as práticas neopetencostais que tanto condenam, mas também sou adepto do esforço para termos um culto público puro a Deus, conforme o que ensina as Escrituras e valorizando também, com permissão escriturística, a nossa cultura brasileira, que nada tem a ver com essas "danças litúrgicas" ridículas que tiram o foco do culto que deve ser Deus, o Pai, e o nosso Senhor Jesus Cristo que nos amou e deixou para nós as Escrituras para nos orientar sobre como devemos cultuá-lo.

Espero que esse artigo do Nicodemos venha a esclarecer a muitos e incentivar mais e mais pessoas a mudarem de modismo para valores eternos que produzirão melhores frutos para nós como cristãos. Deus abençoe.

Davi dançou, eu também quero dançar!



Este é um dos argumentos que mais escuto da parte daqueles que defendem a "dança litúrgica" durante os cultos públicos nas igrejas evangélicas. Se o rei Davi dançou diante da arca de Deus, quando a mesma estava sendo trazida de volta para Jerusalém, por que nós não podemos, da mesma forma, expressar nossa alegria diante de Deus em nossos cultos, com danças de caráter religioso? Afinal, a Bíblia menciona não só Davi, mas Miriã e outras pessoas que dançaram de alegria na presença do Senhor (a imagem ao lado de Davi dançando é do famoso pintor francês James Tissot).

Não consigo me convencer com este argumento. Eu sei que existem outros, mas este, em particular, não me convence. Não é que eu seja contra a dança em si. Sinceramente, não vejo como considerar a dança como um ato pecaminoso, como parece que alguns segmentos evangélicos fazem. Se Davi dançou, e com ele outros personagens da Bíblia, isto pode não provar que devemos dançar em nossos cultos, mas no mínimo é uma evidência de que a dança em si não é pecaminosa, errada ou imprópria para o cristão. A não ser, é claro, aquelas danças sensuais, provocativas, eróticas ou, no mínimo, sugestivas, que despertem paixões e a lascívia. Nesse caso, me junto aos Pais da Igreja, como Basílio, João Crisóstomo, Agostinho, Tertuliano, entre outros, que condenaram veementemente este tipo de dança por parte parte dos cristãos.

Mas, nem toda dança é sensual. Quando eu estava estudando para meu doutorado nos Estados Unidos frequentava com minha família uma igreja presbiteriana muito firme biblicamente. Uma vez por mês os casais da igreja se encontravam no salão social num sábado a noite onde, liderados pelo pastor e sua esposa, ouviam música country, jazz, clássica, e eventualmente dançavam (cada um com seu cônjuge, veja bem!). Minha esposa Minka e eu estivemos lá umas poucas vezes. Nós mesmos não chegamos a dançar, sou meio duro nas articulações e daria um espetáculo horroroso, matando a Minka de vergonha... hehehehe. Mas foi uma experiência muito interessante, que me marcou pela alegria, naturalidade e pureza do evento. E serviu para demonstrar o que eu já pensava, que dançar em si não é pecado.

Voltemos a Davi. Por que então não consigo aceitar que o exemplo dele é definitivo como base para as danças litúrgicas, ministérios de coreografia, dança profética e grupos de danças durante os cultos?

Bem, primeiro porque não acredito que devamos fazer normas ou estabelecer princípios gerais para a vida da igreja simplesmente a partir de atos, ações, eventos, incidentes envolvendo os heróis da Bíblia. Nem tudo o que aconteceu na vida deles pode virar paradigma para os cristãos. A não ser aquelas coisas que a própria Bíblia determina. Jesus, por exemplo, recomendou que imitássemos Davi em sua atitude para com a lei cerimonial (Mat 12:3). Davi é citado como homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22), que serviu a Deus em sua própria geração (Atos 13:36), no que deveria ser imitado. Sua fé o coloca na galeria dos heróis da fé em Hebreus (11:32) e serve de exemplo para nós. Ainda poderíamos mencionar seu arrependimento e contrição após ter pecado contra Deus (Salmos 32 e 51). Tais coisas são norma e regra geral para todos os cristãos. Isto não significa, todavia, que cada atitude de Davi sirva de modelo para nós.

Uma segunda dificuldade que tenho é com este tipo de interpretação, muito popular hoje entre os evangélicos, que simplesmente transpõe para nossos dias os eventos históricos narrados na Bíblia, sem levar em consideração o contexto cultural, histórico, teológico e literário dos mesmos, e os usa como base para construir ritos, práticas e regras a serem seguidos nas igrejas cristãs. Moisés bateu com a vara na rocha - lá vem a reencenação do episódio nas igrejas como símbolo da vitória. Ouvi falar que a derrubada da muralha de Jericó foi recentemente reencenada numa igreja (usando uma muralha de isopor e gelo seco) como base para se clamar a vitória para o ano de 2009. E por ai vai. A lista é enorme. No caso de Davi, não poderíamos esquecer que na cultura do Antigo Oriente as danças eram usadas como manifestação popular pelas vitórias militares obtidas, e eram geralmente lideradas pelas mulheres. Foi o caso com a dança de Miriã (Ex 15:20), a filha de Jefté (Juízes 11:34), as mulheres de Judá (1Sam 18:6) e a própria dança de Davi (2Sam 6:20). Ao que parece, o povo saia em passeata dançando em roda (sobre dança de roda, veja Juízes 21:21 e 23). Até onde sei, no Brasil não se costuma celebrar as vitórias com danças de roda. As danças têm outra conotação e servem a outros propósitos, nem sempre moralmente neutros.

Tudo bem, vá lá. Vamos supor, por um momento, que a dança de Davi sirva de base para nós, cristãos. O que o evento lúdico do rei de Israel poderia nos autorizar? Com certeza, não autoriza que dancemos nos cultos públicos de nossas igrejas, pois a dança de Davi foi numa passeata religiosa, nas ruas de Jerusalém, algo espontâneo e do momento. Ele não marcou um culto no templo de Jerusalém, que era o local determinado por Deus para os cultos a Ele, onde foi dançar de alegria perante o Senhor. Até onde eu sei, nos cultos determinados por Deus no Antigo Testamento não havia dança alguma. Deus não determinou a dança como elemento de culto, não há qualquer registro de que as mesmas fizessem parte do culto que lhe era oferecido no templo. E acho que os apóstolos e primeiros cristãos entenderam desta forma, pois não há danças nos cultos do Novo Testamento.

Se formos usar o exemplo de Davi como base, chegaremos à conclusão que a dança dele também não autoriza a criação de grupos de dança litúrgica nas igrejas, que se apresentam regularmente nos cultos. Não justifica nem a criação dos ministérios de dança e a descoberta do dom espiritual da dança litúrgica e profética. A dança de Davi foi um evento isolado e individual. Não foi feita por um grupo que treinava e ensaiava para se apresentar regularmente nos cultos do templo. Aliás, não encontro no Antigo Testamento qualquer indicação de que havia em Jerusalém um grupo de levitas que se dedicavam ao ministério da dança litúrgica e que se apresentavam regularmente durante os cultos no templo de Deus. E deve ser por isto que também não encontramos estes grupos no Novo Testamento. Acho que o rei de Israel cairia de costas se ele visse tudo o que se inventou hoje no culto a Deus com base naquele dia em que ele saltou de alegria diante da arca do Senhor.

Por último, acho que este tipo de argumento, "Davi dançou, eu também quero dançar", deixa de lado alguns princípios importantes sobre o culto que devemos prestar a Deus. Primeiro, que embora toda nossa vida seja um culto a Deus (veja 1Cor 10:31), Ele mesmo determinou que seu povo se reunisse regularmente para cultuá-lo, cantar louvores a seu Nome, buscá-lo publicamente em oração e ouvir Sua Palavra. Uma coisa não exclui a outra, mas não devem ser confundidas. Nem tudo que cabe na minha vida diária como culto a Deus caberia no culto público e solene. Por exemplo, posso plantar bananeira para a glória de Deus, mas não vejo como justificar isto no culto público regular das igrejas. Cabia perfeitamente a Davi dançar de alegria naquele dia, na procissão de vitória, nas ruas de Jerusalém. Todavia, não o vemos fazendo isto no templo de Jerusalém, durante os cultos estabelecidos por Deus.

Segundo, não podemos inventar maneiras de cultuar a Deus além daquelas que Ele nos revelou em Sua Palavra. Os elementos que compõem o culto a Deus, até onde eu entendo a Bíblia, são a oração, o cantar louvores, a ação de graças, a leitura e pregação da Palavra, as contribuições voluntárias de seu povo, o batismo e a Ceia (quando houver). É claro que a Bíblia não estabelece ritmos musicais, não nos dá orações fixas e nem mesmo uma ordem litúrgica a ser seguida. Mas, ela nos dá os princípios e os elementos do culto que Deus aceita. A questão, portanto, não é se Davi e outros heróis da fé dançaram, mas sim se as danças litúrgicas fazem parte daquele culto que Deus determinou em Sua Palavra. E mesmo que eu não tenha nada contra o dançar em si, não vejo como as danças possam ser enquadradas como elementos de culto.

Enfim. Ao ler a história da dança de Davi o que aprendo é o amor que ele tinha ao Senhor, e a alegria que o dominava pelas coisas de Deus. Aprendo que devo amar ao Senhor e me alegrar com as coisas dele à semelhança de Davi. Todavia, não creio que a maneira com que Davi expressou estes sentimentos seja elemento de culto para os cristãos. O texto está muito longe de requerer isto. Sei que vou escandalizar muita gente ao dizer que eu não veria problemas com grupos de coreografia para evangelizar ou mesmo para participar em reuniões sociais dos jovens e adolescentes de nossas igrejas (sobre boate evangélica, falaremos em outra oportunidade). Mas o culto público a Deus, quer nos templos, quer em qualquer outro lugar, é regido pela regra: "só devemos adorar publicamente a Deus com aqueles elementos de culto que encontramos na Bíblia".

Termino lembrando que neste post estou interessado apenas no uso do episódio da dança de Davi como base para as danças litúrgicas. Há vários outros argumentos usados para defender esta prática, cada vez mais comuns nas igrejas evangélicas (como por exemplo o Salmo 150), que não receberam atenção aqui, mas que podem ser alvo de uma futura postagem sobre o assunto.

Sola Scriptura!

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24.7.09

Quem tem medo da gripe suína?  

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Não sou o fã número 1 de títulos interrogativos, mas esse é interessante.

Hoje resolvi vir "passear" aqui no Hospital do Campo Limpo.

Não me preocupei com a gripe suína, já que não estou com os sintomas. Isso me fez pensar na tranquilidade com que as autoridades e profissionais de saúde têm ao fala no vírus H1N1. Falam que não é motivo para preocupação e que a gripe comum é mais preocupante, segundo tais "eruditos" que a nova gripe A, conhecida como gripe suína.



Aqui no hospital, curiosamente, encontrei um cenário que não condiz com a tranquilida que nos passam pela televisão e na internet. É fato conhecido a morosidade no atendimento da saúde pública, porém, por aqui, a Triagem está sendo bem rápida e pacientes que apresentam os sintomas da nova gripe recebem rapidamente uma máscara protetora e são atendidos prontamente, em detrimento dos pacientes molestados por outros sintomas. Vejo também por aqui os profissionais do hospital com as mesmas máscaras de proteção e atentos aos que apresentam sintomas similares aos dos que têm o H1N1 para comprovarem se realmente têm tais características. Vejo também que as conversas aqui não tratam de outro assunto, senão a gripe suína. As pessoas estão visivelmente assustadas e os que tossem ficam isolados, pois poucos se aventuram a chegar perto. Todos mostram ciência das últimas mortes causadas pelo vírus e preocupação (entenda-se "medo") da ineficiência de nosso sistema de saúde em lidar com esse novo desafio e revolta com as autoridades desse sistema empurrando para terceiros ou mesmo para a própria população a responsabilidade que é deles, que foi dada pela própria população a eles, como costumeiramente fazem em outros desafios em que falham também.

Pois bem, será que esses profissionais e autoridades, tão eruditos no assunto do momento, a pandemia da nova gripe, poderiam vir a esses locais de periferia para compartilhar da tranquilidade deles? Creio que estão com medo da nova gripe, não é mesmo?

Sinceramente não creio na necessidade de virem aqui nesse momento (mas creio sim na necessidade de visita esporádica a lugares como esse para aprenderem a trabalhar direito), mas sim na necessidade de usarem de toda a erudição e inteligência que têm para elabora soluções criativas para nosso caótico sistema de saúde.

Acho difícil que alguém com tais responsabilidades leia o meu blog, mas, se acontecer, creio que já terão uma defesa ao que estou constatando aqui pronta para dizer. Porém, caro servidor público, não estou insinuando inércia administrativa ou negligência laboral, não estou usando esse espaço para falar a mesma ladainha anti-políticos de sempre; estou sim aproveitando esse meu espaço para dizer que o seu trabalho está ineficiente. Quero dizer que você precisa melhorar sua maneira de trabalhar e fazer isso com mais competência. Não duvido que atitudes já foram tomadas senão o estrago seria pior, mas cobro atitudes inteligentes e efetivas, chega de paliativos! E, principalmente, PAREM DE MENTIR PARA A POPULAÇÃO.

Quem tem medo da gripe suína?

Eu respondo, senhores: TODOS NÓS!

Surian,

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17.7.09

Eu sou a Igreja.. Buaaahhhhhh  

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Somos chamados de protestantes, certo? E o que um protestante faz? Protesta, é lógico. Há muito para se protestar. Podemos protestar contra a indigência da igreja, sua secura teológica, seu comportamento extravagante – como se isso fosse elogio – , sua falta de amor.

Isso tudo faz parte de um protesto. Mas um protesto de verdade apresenta, junto à discordância, uma alternativa viável àquele quadro desolador. Isso, além de protesto, também se chama profecia.

Mas o que vejo hoje em dia é apenas um choramingo de gente que ainda precisa de mamãe e papai, que ainda está nas fraldas (literal e metaforicamente falando), que nunca se comprometeu com a igreja, mas que de repente acha bonito apontar o dedo pra todo mundo. Como os ateus fashion, que acham bonito meter o pau em Deus sem se darem conta de como Richard Dawkins é uma besta (Allister McGrath o desossou de maneira competente) e que se contenta em uma explicação meia-boca baseada em uma teoria que há tempos faz água, assim também são aqueles que fazem beicinho gospel: metem o pau em tudo e em todos, mas na hora de apresentarem uma alternativa, gaguejam e pulam fora.

Sei bem do estado da igreja, porque estou inserido nela. Discordo de um monte de coisas, e procuro, com meu ministério pastoral, fazer diferença, apresentar uma alternativa a esse estado de calamidade a que estamos vendo. Mas fico muito chateado com gente sem nenhum compromisso querer dar uma de professor de Deus. Palhaçada e infantilidade tem limites.

Publicado por revdigao

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Ir na Igreja e Ser Igreja  

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Nos últimos 2 anos tem crescido o número de postagens em blogs sobre a validade de se reunir como igreja (com “i” minúsculo mesmo para indicar a congregação de discípulos reunidos em nome de Cristo, para edificação, exortação e consolo). Parece que, à medida em que aumenta a ênfase no SER Igreja em vez de simplesmente IR à um local chamado igreja, num esforço nobre de recuperar a essência da fé e discipulado cristão, diminui consequentemente a motivação de se IR também. Para mim esse é um caso clássico do que acontece com todo movimento reacionário: vai de um extremo a outro. A razão simples porque creio assim é que SER Igreja é algo impossível de se acontecer na individualidade. Igreja é sempre plural, comunitário, sempre algo que eu não posso ser sozinho. Mas a galerinha lê livros questionando a validade da igreja e sai blogando e declarando: “Ufa! Agora posso SER sem IR. Uma libertação!” Será?

Tal coisa só faz sentido numa sociedade cada vez mais individualizada como a nossa (temos feito a lição de casa direitinho com os norte-americanos). Diz isso para quem está tentando seguir Cristo em regiões do mundo como o Norte da África, Oriente Médio e Ásia Central. Nestes lugares você encontra pessoas que anseiam por IR e se reunir com outros e compartilhar sua fé, suas lutas, orar juntos, aprender umas com as outras, etc. Mas não é só nos “países fechados” que você encontra esse entusiasmo pela igreja em sua forma congregacional. Na Europa pós-cristã, acontece o mesmo com os seguidores de Cristo que buscam viver a realidade de sua fé naquele continente frio. Pessoas viajam 1-2 horas na Autobahn para se reunirem como igreja em países como Alemanha, Suíça, França, etc.

Quando penso sobre isso me lembro do que um velho professor de teologia costumava dizer-me no seminário: “A teologia foi elaborada na Europa, está sendo deturpada nos Estados Unidos e testada no Brasil.” Cada dia que passa, mais cresce em mim a sensação de que ele estava certo. Pois essa nova descoberta de SER sem IR é um fenômeno não somente totalmente inédito na história da Igreja, mas arrisco dizer, algo puramente norte-americano. Somente numa sociedade que pratica o culto ao indivíduo (e à individualização) é que um conceito desses pode ser desenvolvido. E pior, vendido como se fosse verdade, grande revelação. E só quem não conhece bem nem as Escrituras nem a História pode embarcar nessa. Pois tanto as Escrituras quanto a História são claras quando o assunto é seguir Jesus: Não é algo que se faz sozinho. Seguir Jesus envolve um compromisso com a mutualidade: disposição a repartir a vida com outros para aprender a amar, perdoar, dar e receber, morrer para o eu, servir, etc.

Creio que Henri Nouwen expressou bem o que é SER Igreja: “A Igreja é o povo de Deus. A palavra latina para “igreja”, ecclesia, origina-se do grego ek, que significa “fora”, e kaleo, “chamar”. A Igreja é o povo de Deus chamado a sair da escravidão para a liberdade, do pecado para a salvação, do desespero para a esperança, da escuridão para a luz, de uma existência centrada na morte para uma existência centrada na vida. Quando pensamos na Igreja, devemos pensar num corpo de pessoas viajando juntas. Temos que imaginar as mulheres e os homens e as crianças de todas as idades, raças e sociedades apoiando-se um ao outro em suas longas e, muitas vezes, cansativas jornadas para a morada final.”

Note que Igreja é povo de Deus, não indivíduo de Deus. Igreja são pessoas, nunca uma pessoa só.

Muitos argumentam que não estão questionando a validade da comunhão, que praticam comunhão em casas onde compartilham sua fé enquanto comem e bebem alguma coisa. Essa é sua igreja. Eu não questiono sob hipótese alguma esse tipo de experiência. Com certeza posso cultuar com pessoas em reuniões nos lares. A maioria das igrejas em países fechados acontecem assim. Talvez mesmo vivendo num país onde há liberdade de culto, eu deva praticar o pequeno grupo. Mas, pessoalmente, eu sinto falta de certas coisas que uma reunião nos lares simplesmente torna impraticável.

Grupos pequenos geralmente se reunem por afinidade e/ou geografia. Por isso, raramente transpõem barreiras sociais. Dificilmente pessoas alheias ao grupo terão acesso às suas reuniões (qual foi a última vez que você teve um mendigo em seu grupo pequeno?). Nas reuniões congregacionais maiores encontro a oportunidade de me relacionar - ainda que superficialmente - com uma variedade maior de pessoas - as mulheres e os homens e as crianças de todas as idades, raças e sociedades, do texto de Nouwen. Tal encontro abre possibilidades incríveis de ministração do Espírito em minha vida.

Eu também gosto da vibração musical quando a banda toca e me convida a cantar junto canções que expressam meu amor e sentimentos por Jesus e Sua Causa. Difícil encontrar uma banda de rock tocando em grupos pequenos. E por mais que eu goste da informalidade do diálogo e das conversações sobre a fé, da troca de experiências e questionamentos que acontecem nos encontros informais, sinto que preciso também ouvir um bom sermão que me exorte, edifique e console. De um modo geral, sermões (ou pregações) não se encaixam bem em reuniões caseiras - o próprio ambiente pede algo mais conversacional. Além disso, eu reconheço a grande quantidade de dons e talentos distribuídos por Cristo à Sua Igreja e encontro muito mais oportunidades de ver esses dons sendo exercitados em reuniões congregacionais maiores do que nos pequenos grupos.

Bom, estes são alguns motivos que me levam a perseverar na igreja e crer como Rich Mullins que mesmo uma hora numa igreja ruim é melhor que não ir a nenhuma igreja.

Finalmente, eu acredito que SER Igreja é infinitamente mais importante do que simplesmente IR a uma igreja. Todavia, me pergunto seria possível, a longo prazo, SER sem nunca IR?

Isso tudo me faz lembrar a letra da música Acrobat do U2…

Postado originalmente por Sandro Baggio

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13.7.09

Jeitinho Brasileiro  

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Você com certeza já ouviu falar na expressão "dar um jeitinho", "jeitinho brasileiro", não é mesmo?

Hoje em dia essas expressões são pejorativas e de má fama. Se você for a uma entrevista de emprego, ou estiver em alguma reunião com algum cliente ou parceiro, você será taxado como corrupto.

Lembro quando eu era criança e o brasileiro se orgulhava do seu "jeitinho". Eu via na TV ou ouvia no rádio ou nas ruas as pessoas orgulhosas ostentando o "jeitinho brasileiro" de enfrentar as situações. Era época da inflação alta, da implantação da Democracia no país, dos salários miseráveis que a grande maioria dos brasileiros ganhava e não dava para ter nem o básico, pois além do salário ser baixo, os preços aumentavam de um dia para o outro. Era aí que entrava o nobre "jeitinho brasileiro".

O brasileiro conseguia, mesmo sem estudos ou alguma orientação na mídia para o grande público, se organizar para "dar um jeitinho" na escassez de recursos que assolava o brasileiro na época. Isso era incrível! Lembro que isso era motivo de estudos de economistas no mundo inteiro. Como, por exemplo, uma chefe de família que ganhava um miserável salário mínimo e não tinha um outro provedor em casa, pois não tinha marido e ainda tinha crianças em casa, consegui comprar o necessário para todos, em uma época assim?

Esse "jeitinho brasileiro" era algo a se orgulhar mesmo. Mas o tempo passou...

Hoje não temos mais inflação. O salário mínimo ainda é uma vergonha, mas consegue garantir no mínimo a cesta básica de uma família. Hoje a educação está mais acessível com a democratização da informação pela internet e isso torna a ascensão social e econômica uma possibilidade cada vez mais forte, segundo a competência e a oportunidade..

E o "jeitinho"? Bem, o jeitinho virou corrupção. O brasileiro tem sua chance de evoluir, mas prefere "se dar bem" a qualquer custo. "Jeitinho brasileiro" hoje é uma maneira do brasileiro se apropriar do que não é dele ou conseguir sair impune de algo errado que fez e deve prestar contas à sociedade, à Igreja, aos amigos, à família e a qualquer outra instituição ou pessoa que tenha defraudado.

O brasileiro não quer assumir as coisas erradas que fez e prestar contas por isso, antes prefere dar um "jeitinho" de sair impune. O brasileiro não quer cumprir com suas responsabilidades com a nação, com o governo, com a sociedade, com a Igreja, com a família, com a empresa em que trabalha, mas arranja um "jeitinho" de se livrar da resposabilidade e, caso aconteça algo danoso por culpa dessa irresponsabilidade, o brasileiro dá um "jeitinho" de botar a culpa em outra pessoa e assim ficar com a consciência tranquila.

Exemplos disso vemos no governo, onde muitos políticos nos humilham se apropriando do que não é deles e gastando fortunas que são de posse da nação, não deles. Vemos também esses políticos negligenciando a responsabilidade deles em melhorar nossos sistemas de saúde e educação, mas sempre dão um "jeitinho" de botar a culpa em outras pessoas, outras instituições, outras gestões ou outras administrações. Assim dormem em paz enquanto o povo morre nos corredores dos hospitais..

Vemos esse mesmo jeitinho no povo, que elege os mesmos crápulas irresponsáveis e ladrões de sempre, mas se escusam dizendo que "é tudo igual" dando um "jeitinho" de se esquivar da responsabilidade de votar bem nas nossas eleições. Esse mesmo povo que frauda o transporte público, que finge doença no INSS, sem se preocupar com os realmente doentes que sofrem com a desconfiança e corrupção dos médicos de nossa Previdência Social.

No nosso meio evangélico a coisa não é diferente, infelizmente. O povo que foi chamado para ser Sal da Terra e Luz do Mundo é intolerante com os que pensam diferente deles. São guias cegos, guiados por outros cegos e corruptos. Negam o Jesus bíblico por movimentos heréticos como o neo-pentecostalismo e o neo-liberalismo. Abandonam o Santo dos Santos, o Rei dos reis para se dedicarem a falsos profetas e falsos apóstolos que cometem crimes, mas dão um "jeitinho" de se safarem.

Vemos guias cegos escondendo dinheiro ilegal dentro de Bíblia, ou ensinando seus pastores como enganar e tirar dinheiro dos fiéis até mesmo com a piada do "dá ou desce", ou construindo mega-Igrejas e ajuntando multidões diante deles para demonstrar força e ganhar apôio político ou financeiro, ou vemos uns oportunistas mais intelectualizados ensinando você a generalizar sua inconformidade contra todas as instituições, mesmos as sérias, te ensinando a ser um inútil rebelde sem causa, que só faz volume nesse mundo, sem servir para mais..

Enfim, o brasileiro corrompeu seu "jeitinho" e o povo evangélico não tem feito diferente.

A boa notícia nisso tudo, é que nós, que queremos andar honestamente, não devemos ficar surpresos nesse cenário. A Bíblia já nos anunciava:

"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;" (Romanos 3:23).
A Confissão de Fé de Westminster explica que a "corrupção original pela qual ficamos totalmente indispostos, adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal, é que procedem todas as transgressões atuais." Ou seja, esse cenário é parte da consequência da nossa queda e depravação como pecadores e nós também estamos sujeitos a nos render à cultura do corrupto "jeitinho brasileiro".

Opa! Que "boa notícia" é essa? A boa notícia é que há salvação dessa queda generalizada do povo brasileiro. Se você é evangélico, ou é de qualque outro credo religioso, mas nesse post percebeu que é um irresponsável e negligente com seus deveres como cristão, arrependa-se e olhe para a Cruz. Jesus está de braços abertos para nos perdoar e nos ajudar a mudar pela Sua graça. Creia!

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas." (Efesios 2:8-10).

Diga não ao "jeitinho brasileiro" e comece a agir pelo "jeitinho bíblico". Te garanto que a paz eterna de Jesus Cristo vai tomar conta da sua vida.

Surian,

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Brasília, a capital mundial da Pizza!  

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Existe uma vasta gama de opções de pizza por lá. As maiorias pizzarias do mundo inteiro são da nossa Capital Federal.

Você pode escolher. Tem a Pizzaria Congresso, Pizzaria Senado, Pizzaria STF, Pizzaria Presidência.. Enfim.. Tem tantas que fica até difícil lembrar o nome de todas, mas são as maiores do mundo com Pizzas de todos os gostos e sabores..

O grande problema é que essas pizzas são indigestas para a maioria do povo brasileiro, mas se você for da elite que mantém há tantos anos o nosso feudalismo no Brasil, com certeza você vai adorar!

Bom apetite.

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10.7.09

500 anos de Calvino  

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Calvino “está um nível acima de qualquer comparação, no que diz respeito à interpretação da Escritura. Os seus comentários precisam ser muito mais valorizados do que quaisquer dos escritos que recebemos dos pais da igreja”!

Jacobus Arminius! (O teólogo do séc. XVII que emprestou o nome ao "arminianismo" e atualmente é tido como "inimigo" do calvinismo)

Hoje é o aniversário de 500 anos do nascimento desse que foi usado por Deus para a restauração massiva de Sua Igreja. A obra de Calvino não foi criar nada novo, mas lutar pela Reforma das pessoas que tinham se entregado ao misticismo "experimental" da época, propondo a restauração do Cristianismo.

Ah, se os evangélicos brasileiros de hoje conhecessem melhor as propostas de homens como Calvino e Lutero. Com certeza estaríamos bem melhor do que essa crise espiritual tão humilhante que sempre assolou nosso país e hoje assola em grande número a nós evangélicos também..

Em homenagem a essa data, vou reproduzir aqui uma matéria da Cristianismo Hoje que aborda como o Calvinismo (movimento baseado na obra de João Calvino) ainda tem sua relevância e ainda pode transformar o mundo, como diz a Revista Time, por não ser nenhuma proposta de implantar algo novo, mas de estabelecer a vontade do nosso Senhor Jesus Cristo, que está a nós revelada nas Sagradas Escrituras.

Segue:


Quinhentos anos depois do nascimento do reformador João Calvino, suas ideias estão ganhando nova força. Combatido e contestado dentro e fora do segmento cristão ao longo de sua história, o calvinismo firmou-se como corrente doutrinária e chega ao século 21 revigorado, influenciando milhões de pessoas, grandes grupos religiosos e até mesmo o mundo corporativo. Recentemente, a revista americana Time listou em sua edição eletrônica as dez ideias que mais estão mudando o mundo neste exato momento.

E o calvinismo está lá, em terceiro lugar, apontado pela revista como uma “base segura” para a vida devido à crença irrestrita na soberania de Deus sobre todas as coisas. A concepção segundo a qual o Todo-poderoso está interessado e atuante nos mínimos detalhes da existência humana pode parecer uma revolução na sociedade pós-moderna, mas o moderno calvinismo surge como resposta a anseios não supridos por anos e anos de liberalismo.

Líderes contemporâneos como John Piper, Paul Washer e Mark Driscoll, e seus respectivos ministérios, são exemplos desse movimento, conservador em suas doutrinas mas impactante em seus efeitos. Com uma roupagem moderna, a corrente vem conquistando cada vez mais adeptos, especialmente entre os jovens, e sobretudo nos Estados Unidos. “O novo calvinismo citado pela Time é um movimento que demonstra abertura para novas formas litúrgicas, ao mesmo tempo em que mantém o formalismo das doutrinas historicamente reformadas”, diz o pastor Leandro Antonio de Lima, da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, em São Paulo, e professor de teologia sistemática. “É basicamente um resgate da mensagem do reformador João Calvino.”
As igrejas que se autodenominam calvinistas geralmente possuem características bem tradicionais: liturgia formal, um forte apelo intelectual em seus ensinamentos e, em muitos casos, pelo menos no Brasil, muito espaço nos bancos. Um dos problemas desse aspecto tradicionalista que a corrente teológica sempre apresentou é a falta de uma linguagem popular.

O calvinismo já foi acusado diversas vezes de ser uma espécie de Evangelho de pessoas cultas, embora muitas doutrinas que se atribuem a Calvino não sejam de sua autoria (ver quadro). Isso e suas doutrinas polêmicas – sobretudo a de predestinação, calcanhar-de-aquiles que provoca constante cizânia entre os evangélicos e segundo a qual Deus já resolveu quem seria ou não salvo, independentemente de qualquer ação humana – geraram um sectarismo em torno do movimento, que parece estar sendo superado agora. Os novos ministros calvinistas estão mais atentos às necessidades do povo cristão, o que os torna populares. “A teologia de Piper pode ser resumida como um ‘hedonismo cristão’, que é a teoria de que o ser humano é mais feliz quanto mais prazer ele sentir em Deus”, sintetiza Leandro.

No quesito popularidade, ninguém ganha do “brigão”, como se referiu a Time, Mark Driscoll. “Um amigo assistiu uma pregação dele e ficou muito entusiasmado com o que ouviu”, afirma o professor de teologia Franklin Ferreira, autor dos livros Agostinho de A a Z e Gigantes da fé, lançados pela Editora Vida. Driscoll pode subir ao púlpito vestindo uma blusa de malha com a estampa do Mickey Mouse e usar palavras arrogantes em suas mensagens, mas sua doutrina é bíblica, séria e reformada. “Driscoll define sua igreja como teologicamente conservadora – ou seja, calvinista – e culturalmente aberta”, continua Franklin. Tal estilo pode assustar um pouco os calvinistas tradicionais, mas é essa abordagem que vem arrebanhando multidões para Cristo. Franklin sai em defesa de Mark Driscoll, dirigente da Mars Hill Church, em Seattle. “Devemos levar em conta que ele plantou uma congregação forte numa localidade conhecida como cemitério de igrejas. Até a mídia local está espantada com ele. Convém lembrar que ele é muito respeitado por gente importante da comunidade reformada americana, como Piper.”

“Porto seguro” – O francês João Calvino nasceu em 10 de julho de 1509 em Noyon. Contemporâneo de Martinho Lutero e influenciado por suas ideias, em 1533 Calvino rompe com a Igreja e adere de vez à Reforma. Expulso da França após apresentar sua obra As institutas da religião cristã, sua vontade era viver uma vida pacata como um literato reformado. Todavia, o que considerou o chamado de Deus em sua vida veio em Genebra, cidade suíça onde o teólogo se radicou e de onde o movimento calvinista acabaria se espalhando pelo mundo. Genebra teve seu caminho preparado por Zwinglio, que já havia disseminado as doutrinas luteranas na Suíça, e contou com a colaboração Guilherme Farel, seu grande companheiro em Genebra.

O rastilho de pólvora da nova doutrina fundamentada na soberania absoluta de Deus e na salvação pela graça divina não demoraria a se alastrar pelas nações da época. Teólogos desenvolveram movimentos reformistas na França, nas Ilhas Britânicas, na Holanda e em outras partes do mundo. John Knox, por exemplo, teve um papel fundamental na implantação do calvinismo na Escócia, após ter sido discípulo do reformador francês enquanto esteve em Genebra. Assim, com os ensinamentos de Calvino e a atuação de outros religiosos, desenvolveu-se o que logo passou a ser chamado de calvinismo. É importante ressaltar que o próprio teólogo dizia que tais pensamentos não eram seus, propriamente ditos. Eles teriam vindo de longe, muito longe – primeiro de Agostinho, que por sua vez dizia que sua doutrina provinha de Paulo.

A doutrina calvinista sempre provocou polêmicas ao longo da sua história. Paradoxalmente, suas afirmações não atingem apenas os dogmas católicos, como foi em seu início, mas também muitas supostas verdades construídas pelo próprio protestantismo, e casos de conflitos com outros grupos cristãos não são raros. Como movimento, o calvinismo não está atrelado a apenas uma denominação, nas espalhado por várias confissões diferentes, sobretudo as igrejas reformadas nacionais surgidas ao longo do século 17. Mas seu principal expoente é, sem dúvida, a Igreja Presbiteriana, que possui seu modelo de administração semelhante ao que Calvino implantou em Genebra: a descentralização do poder, onde a direção não se concentra nas mãos do pastor, mas de um colegiado de presbíteros.

A diferença desse novo calvinismo parece estar mais focada no âmbito litúrgico do que doutrinário. Apesar de os novos ícones calvinistas não utilizarem os meios de comunicação de forma tão intensa quanto outros famosos pastores do evangelicalismo americano, os cultos, a linguagem e o relacionamento dos atuais calvinistas com outros cristãos mudaram. “O velho calvinismo era temeroso e desconfiado dos outros cristãos, queimando pontes. Essa nova corrente faz o contrário”, afirma Mark Driscoll em seu blog. Outra questão que surgiu com esse fortalecimento da doutrina de Calvino é a da contemporaneidade dos dons espirituais. Muitas igrejas calvinistas de hoje acreditam na legitimidade da manifestação desses dons nos dias atuais, o que pareceria heresia para as gerações anteriores.

“Não deveria ser surpresa para nós que o calvinismo tem potencial para transformar o mundo”, insiste o pastor Leandro. “Muito antes da Time chegar a essa conclusão, o teólogo e estadista holandês Abraham Kuyper já havia previsto isso.” Kuyper, que foi primeiro-ministro de seu país no início do século 20, defendeu que o calvinismo tinha uma agenda para o futuro. “Ele disse que a doutrina poderia ser a solução para os dilemas da modernidade.” No entender do pastor, a cosmovisão reformada é um porto seguro para os “barquinhos” que navegam nas águas tempestuosas desse mundo. Coisa que Calvino, que enfrentou as agruras da Contra-Reforma mas manteve sua fé até morrer, em 1564, sabia muito bem.

Mitos e meias-verdades

Com o passar dos anos, a figura histórica de João Calvino foi prejudicada por conta de suas supostas posições teológicas. Contudo, o professor Franklin Ferreira diz que muito do que se atribui ao reformador francês é meia-verdade ou simples mito. Confira:

Mito: Calvino inventou a doutrina da predestinação

Fato: Agostinho, Aquino, Lutero e Zwinglio ensinaram e escreveram sobre a doutrina da predestinação antes de Calvino, enfatizando a livre graça de Deus que triunfa sobre a miséria e escravidão ao pecado

Mito: Calvino é o pai do capitalismo

Fato: Calvino de fato valorizou o trabalho, a economia, a disciplina, o senso de vocação. Mas forças que moldaram o capitalismo contemporâneo já estavam presentes na cultura ocidental quase 100 anos antes da Reforma

Mito: Calvino era o ditador de Genebra

Fato: Ele tinha pouca influência sobre as decisões acerca do ordenamento civil da cidade e nem tinha direito de voto em decisões políticas ou eclesiásticas no conselho municipal. Sua influência era persuasiva, por meio de seus sermões e escritos

Mito: Calvino não tinha interesse em missões

Fato: Os primeiros mártires da fé evangélica nas Américas foram enviados ao Brasil, em 1555, pelo próprio reformador francês

Mito: Os ensinos de Calvino são social e politicamente alienantes

Fato: Pode-se ver a influência do pensamento de Calvino na revolução puritana de 1641 e na primeira deposição e execução de um rei tirano em 1649, na Inglaterra; no surgimento do governo republicano (com a divisão e alternância do poder, além de ênfase no pacto social); na revolução americana de 1776; na libertação dos escravos e na defesa da liberdade de imprensa

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Suficiente para mim  

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Eu não faço retiros, não faço campanhas, não faço descarrego gospel, não faço cura interior, não sou apostólico, não faço "encontros tremendos", não sou fã do Caio Fabio, não sou "emergente", não estou revoltado com a Igreja, não vou no Padre Marcelo, não tenho CD do Padre Fábio, não vou em show do Diante do Trono, não tenho nenhuma "unção" além da unção do Espírito Santo que todo cristão recebe..


Aprendi que existem somente algumas coisas necessárias para ser um bom cristão e conseguir ter forças para viver em santidade, mesmo caindo, mas se levantando em seguida. Essas coisas que aprendi são:

Somente a Graça
Somente a Fé
Somente Cristo
Somente a Escritura
Somente Deus Glorificado

Vale a pena buscar em Cristo a santificação, não em nós mesmos ou em nossa [in]capacidade de fazer boas obras.

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8.7.09

Transtornos de personalidade  

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Os transtornos de personalidade afetam todas as áreas de influência da personalidade de um indivíduo, o modo como ele vê o mundo, a maneira como expressa as emoções, o comportamento social. Caracteriza um estilo pessoal de vida mal adaptado, inflexível e prejudicial a si próprio e/ou aos conviventes. Essas características, no entanto apesar de necessárias não são suficientes para identificação dos transtornos de personalidade, pois são muito vagas. A maneira mais clara como a classificação deste problema vem sendo tratada é através da subdivisão em tipos de personalidade patológica. Ao nosso ver, esta forma é bastante adequada, pois se verifica na prática manifestações diversas e até opostas para o mesmo problema. O leitor entenderá melhor a necessidade da subdivisão dos transtornos de personalidade lendo os textos abaixo.

Generalidades

Para se falar de personalidade é preciso entender o que vem a ser um traço de personalidade. O traço é um aspecto do comportamento duradouro da pessoa; é a sua tendência à sociabilidade ou ao isolamento; à desconfiança ou à confiança nos outros. Um exemplo: lavar as mãos é um hábito, a higiene é um traço, pois implica em manter-se limpo regularmente escovando os dentes, tomando banho, trocando as roupas, etc. Pode-se dizer que a higiene é um traço da personalidade de uma pessoa depois que os hábitos de limpeza se arraigaram. O comportamento final de uma pessoa é o resultado de todos os seus traços de personalidade. O que diferencia uma pessoa da outra é a amplitude e intensidade com que cada traço é vivido.

Por convenção, o diagnóstico só deve ser dado a adultos, ou no final da adolescência, pois a personalidade só está completa nessa época, na maioria das vezes. Os diagnósticos de distúrbios de conduta na adolescência e pré-adolescência são outros.

Transtorno de Personalidade Anti-Social

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se pelo padrão social de comportamento irresponsável, explorador e insensível constatado pela ausência de remorsos. Essas pessoas não se ajustam às leis do Estado simplesmente por não quererem, riem-se delas, freqüentemente têm problemas legais e criminais por isso. Mesmo assim não se ajustam. Freqüentemente manipulam os outros em proveito próprio, dificilmente mantêm um emprego ou um casamento por muito tempo.

Aspectos essenciais
Insensibilidade aos sentimentos alheios

  • Atitude aberta de desrespeito por normas, regras e obrigações sociais de forma persistente.
  • Estabelece relacionamentos com facilidade, principalmente quando é do seu interesse, mas dificilmente é capaz de mantê-los.
  • Baixa tolerância à frustração e facilmente explode em atitudes agressivas e violentas.
  • Incapacidade de assumir a culpa do que fez de errado, ou de aprender com as punições.
  • Tendência a culpar os outros ou defender-se com raciocínios lógicos, porém improváveis.

Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe)

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se por um padrão de relacionamento emocional intenso, porém confuso e desorganizado. A instabilidade das emoções é o traço marcante deste transtorno, que se apresenta por flutuações rápidas e variações no estado de humor de um momento para outro sem justificativa real. Essas pessoas reconhecem sua labilidade emocional, mas para tentar encobri-la justificam-nas geralmente com argumentos implausíveis. Seu comportamento impulsivo freqüentemente é autodestrutivo. Estes pacientes não possuem claramente uma identidade de si mesmos, com um projeto de vida ou uma escala de valores duradoura, até mesmo quanto à própria sexualidade. A instabilidade é tão intensa que acaba incomodando o próprio paciente que em dados momentos rejeita a si mesmo, por isso a insatisfação pessoal é constante.

Aspectos essenciais

  • Padrão de relacionamento instável variando rapidamente entre ter um grande apreço por certa pessoa para logo depois desprezá-la.
  • Comportamento impulsivo principalmente quanto a gastos financeiros, sexual, abuso de substâncias psicoativas, pequenos furtos, dirigir irresponsavelmente.
  • Rápida variação das emoções, passando de um estado de irritação para angustiado e depois para depressão (não necessariamente nesta ordem).
  • Sentimento de raiva freqüente e falta de controle desses sentimentos chegando a lutas corporais.
  • Comportamento suicida ou auto-mutilante.
  • Sentimentos persistentes de vazio e tédio.
  • Dúvidas a respeito de si mesmo, de sua identidade como pessoa, de seu comportamento sexual, de sua carreira profissional.

Transtorno de Personalidade Paranóide

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se pela tendência à desconfiança de estar sendo explorado, passado para trás ou traído, mesmo que não haja motivos razoáveis para pensar assim. A expressividade afetiva é restrita e modulada, sendo considerado por muitos como um indivíduo frio. A hostilidade, irritabilidade e ansiedade são sentimentos freqüentes entre os paranóide. O paranóide dificilmente ri de si mesmo ou de seus defeitos, ao contrário ofende-se intensamente, geralmente por toda a vida quando alguém lhe aponta algum defeito.

Aspectos essenciais

  • Excessiva sensibilidade em ser desprezado.
  • Tendência a guardar rancores recusando-se a perdoar insultos, injúrias ou injustiças cometidas.
  • Interpretações errôneas de atitudes neutras ou amistosas de outras pessoas, tendo respostas hostis ou desdenhosas. Tendência a distorcer e interpretar maléficamente os atos dos outros.
  • Combativo e obstinado senso de direitos pessoais em desproporção à situação real.
  • Repetidas suspeitas injustificadas relativas à fidelidade do parceiro conjugal.
  • Tendência a se autovalorizar excessivamente.
  • Preocupações com fofocas, intrigas e conspirações infundadas a partir dos acontecimentos circundantes.

Transtorno de Personalidade Dependente

Como se caracteriza ?
Caracterizam-se pelo excessivo grau de dependência e confiança nos outros. Estas pessoas precisam de outras para se apoiar emocionalmente e sentirem-se seguras. Permitem que os outros tomem decisões importantes a respeito de si mesmas. Sentem-se desamparadas quando sozinhas. Resignam-se e submetem-se com facilidade, chegando mesmo a tolerar maus tratos pelos outros. Quando postas em situação de comando e decisão essas pessoas não obtêm bons resultados, não superam seus limites.

Aspectos essenciais

  • É incapaz de tomar decisões do dia-a-dia sem uma excessiva quantidade de conselhos ou reafirmações de outras pessoas.
  • Permite que outras pessoas decidam aspectos importantes de sua vida como onde morar, que profissão exercer.
  • Submete suas próprias necessidades aos outros.
  • Evita fazer exigências ainda que em seu direito.
  • Sente-se desamparado quando sozinho, por medos infundados.
  • Medo de ser abandonado por quem possui relacionamento íntimo.
  • Facilmente é ferido por crítica ou desaprovação.

Transtorno de Personalidade Esquizóide

Como se caracteriza ?
Primariamente pela dificuldade de formar relações pessoais ou de expressar as emoções. A indiferença é o aspecto básico, assim como o isolamento e o distanciamento sociais. A fraca expressividade emocional significa que estas pessoas não se perturbam com elogios ou críticas. Aquilo que na maioria das vezes desperta prazer nas pessoas, não diz nada a estas pessoas, como o sucesso no trabalho, no estudo ou uma conquista afetiva (namoro). Esses casos não devem ser confundidos com distimia.

Aspectos essenciais

  • Poucas ou nenhuma atividade produzem prazer.
  • Frieza emocional, afetividade distante.
  • Capacidade limitada de expressar sentimentos calorosos, ternos ou de raiva para como os outros.
  • Indiferença a elogios ou críticas.
  • Pouco interesse em ter relações sexuais.
  • Preferência quase invariável por atividades solitárias.
  • Tendência a voltar para sua vida introspectiva e fantasias pessoais.
  • Falta de amigos íntimos e do interesse de fazer tais amizades.
  • Insensibilidade a normas sociais predominantes como uma atitude respeitosa para com idosos ou àqueles que perderam uma pessoa querida recentemente.

Trantorno de Personalidade Ansiosa (evitação)

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se pelo padrão de comportamento inibido e ansioso com auto-estima baixa. É um sujeito hipersensível a críticas e rejeições, apreensivo e desconfiado, com dificuldades sociais. É tímido e sente-se desconfortável em ambientes sociais. Tem medos infundados de agir tolamente perante os outros.

Aspectos essenciais

  • *É facilmente ferido por críticas e desaprovações.
  • Não costuma ter amigos íntimos além dos parentes mais próximos.
  • Só aceita um relacionamento quando tem certeza de que é querido.
  • Evita atividades sociais ou profissionais onde o contato com outras pessoas seja intenso, mesmo que venha a ter benefícios com isso.
  • Experimenta sentimentos de tensão e apreensão enquanto estiver exposto socialmente.
  • Exagera nas dificuldades, nos perigos envolvidos em atividades comuns, porém fora de sua rotina. Por exemplo, cancela encontros sociais porque acha que antes de chegar lá já estará muito cansado.

Transtorno de Personalidade Histriônica

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se pela tendência a ser dramático, buscar as atenções para si mesmo, ser um eterno "carente afetivo", comportamento sedutor e manipulador, exibicionista, fútil, exigente e lábil (que muda facilmente de atitude e de emoções).

Aspectos essenciais

  • Busca freqüentemente elogios, aprovações e reafirmações dos outros em relação ao que faz ou pensa.
  • Comportamento e aparência sedutores sexualmente, de forma inadequada.
  • Abertamente preocupada com a aparência e atratividade físicas.
  • Expressa as emoções com exagero inadequado, como ardor excessivo no trato com desconhecidos, acessos de raiva incontrolável, choro convulsivo em situações de pouco importância.
  • Sente-se desconfortável nas situações onde não é o centro das atenções.
  • Suas emoções apesar de intensamente expressadas são superficiais e mudam facilmente.
  • É imediatista, tem baixa tolerância a adiamentos e atrasos.
  • Estilo de conversa superficial e vago, tendo dificuldades de detalhar o que pensa.

Transtorno de Personalidade Obsessiva (anancástica)

Como se caracteriza ?
Tendência ao perfeccionismo, comportamento rigoroso e disciplinado consigo e exigente com os outros. Emocionalmente frio. É uma pessoa formal, intelectualizada, detalhista. Essas pessoas tendem a ser devotadas ao trabalho em detrimento da família e amigos, com quem costuma ser reservado, dominador e inflexível. Dificilmente está satisfeito com seu próprio desempenho, achando que deve melhorar sempre mais. Seu perfeccionismo o faz uma pessoa indecisa e cheia de dúvidas.

Aspectos essenciais

  • O perfeccionismo pode atrapalhar no cumprimento das tarefas, porque muitas vezes detém-se nos detalhes enquanto atrasa o essencial.
  • Insistência em que as pessoas façam as coisas a seu modo ou querer fazer tudo por achar que os outros farão errado.
  • Excessiva devoção ao trabalho em detrimento das atividades de lazer.
  • Expressividade afetiva fria.
  • Comportamento rígido (não se acomoda ao comportamento dos outros) e insistência irracional (teimosia).
  • Excessivo apego a normas sociais em ocasiões de formalidade.
  • Relutância em desfazer-se de objetos por achar que serão úteis algum dia (mesmo sem valor sentimental)
  • Indecisão prejudicando seu próprio trabalho ou estudo.
  • Excessivamente consciencioso e escrupuloso em relação às normas sociais.

Fonte: Psicosite

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5.7.09

Emergentes..  

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Post extraído de O Tempora O Mores, postado originalmente por Mauro Meister.


Na verdade, meu alvo neste post é falar da chamada "igreja emergente", mas não resisti a mencionar no título "neo-ortodoxia" por duas razões: (a) dar continuidade ao tema e (b) por que a igreja emergente tem tudo a ver com as conseqüências finais da neo-ortodoxia!

Há alguns meses atrás, se ouvisse a expressão “igreja emergente” certamente pensaria que se tratava de algum estudo sobre a igreja neotestamentária nos primeiros séculos de nossa era. Hoje, depois de pensar que estive fechado em um quarto sem receber notícias do mundo por uma década, sei que a "igreja emergente" é um movimento crescente dentro da igreja evangélica nas duas últimas décadas. Já existe um bom número de livros escritos sobre o assunto assim como dezenas de sites e blogs emergentes ao redor do mundo (ver leituras ao final). Como o material é extenso e "confuso", vou tentar demonstrar, com definições próprias dos emergentes, exemplos do que é este movimento.

Primeiro, a definição:


[sic] A igreja emergente é um movimento da Igreja Protestante, iniciado por americanos e ingleses, com a finalidade de alcançar a Geração Pós-moderna. Refletindo as necessidades e os valores percebidos desta geração, as igrejas emergentes enfatizam o autêntico, a expressão criativa e uma perspectiva sem julgamentos, procurando reavaliar as doutrinas (ecclesia reformata, semper reformanda...). Igreja emergente é simplesmente um termo usado para denominar as igrejas que nasceram ou que foram [re]estruturadas para um contexto pós-moderno, pós-cristão de ser Igreja no Mundo de hoje. (http://igrejaemergente.blogspot.com/
2006_01_01_igrejaemergente_archive.html
)

Uma sintese da definição acima seria:
a. um movimento da igreja protestante;
b. tem a finalidade de alcançar a geração pós-moderna;
c. ênfase: o autêntico, a expressão criativa e uma perspectiva sem julgamentos, procurando reavaliar as doutrinas;
d. origem: igrejas que nasceram ou que foram [re]estruturadas para um contexto pós-moderno, pós-cristão de ser Igreja no mundo de hoje.

Tendo lido um bom número de livros sobre a igreja emergente, tanto de emergentes quanto de analistas do movimento, me aventuro a dizer que a descrição é uma boa tentativa de se definir o movimento emergente. Digo "tentar definir" em razão de que a "igreja emergente", sendo característicamente pós-moderna, é quase indefinível. Outro post, no mesmo blog, confirma a idéia:


[sic] As igrejas emergentes não possuem sistemas ou fórmulas, são variáveis conforme o contexto cultural, interdominacionais, não podem ser copiadas, não possuem uma doutrina definida e sim procuram expressar Deus em diversas formas, tentando desconstruir as barreiras que as denominações impuseram. Existe uma variedade de Igrejas Emergentes com diferentes interpretações teológicas em que elas acreditam. Somente porque você ouviu dizer que uma Igreja é "Emergente ", não significa que elas possuem os mesmos valores ou praticam as mesmas coisas. (http://igrejaemergente.blogspot.com/
2006_01_01_igrejaemergente_archive.html
)

Observa-se a ênfase à que “não possuem posição doutrinária definida”, não possuem fórmulas, e, até mesmo, a "igreja emergente" evita qualquer idéia de um credo ou confissão. No site emergent-us, um dos links na página inicial é “Declaração de Fé(?)”, onde é explicado pelo coordenador nacional, Tony Jones, que a idéia de ter uma declaração de fé é “descer por uma estrada na qual não queremos andar”.[i] Logo, estamos diante de algo que existe como um movimento, mas, ao mesmo tempo, pela sua fluidez de suas propostas, é essencialmente caracterizado pela ambigüidade. Podemos dizer que a "igreja emergente" é, na verdade, uma filosofia que não quer se definir. Isto não implica, no entanto, que não se possa entender o que está por trás do movimento.

Uma primeira característica do movimento emergente é o seu PROTESTO contra os modelos tradicionais de igreja do período moderno. Dizem os emergentes que a igreja evangélica deste período é marcada por características que a fazem incompatível com a pós-modernidade. Uma das marcas do protesto é a aversão ao absolutismo, ou seja, a forma de pensar do modernismo, que admite o conceito de verdade absoluta com bases fundacionalistas. Deduz-se que a primeira forma de oposição encontrada no discurso de vários líderes emergentes é a antítese ao pensamento bíblico da verdade revelada por Deus nas Escrituras e até então compreendida pela igreja. Na visão de vários destes líderes, a igreja da era da modernidade foi marcada pela cultura "inautêntica". Mike Yaconelli, outro expoente emergente, editou Stories of Emergence: Moving from Absolute to Authentic (Estórias de Emergência: movendo-se do absoluto para o autêntico).[ii] No livro encontram-se narrativas de vários líderes emergentes batendo na seguinte tecla: a autenticidade não esta presente na igreja; é necessário que a igreja se torne autêntica.

Carson expõe o protesto do movimento emergente em três frentes: o protesto contra a igreja evangélica tradicional, contra a forma que interpretam o modernismo e contra a igreja "seeker sensitive", isto é, voltada para os interessados.[iii] Além dos três pontos observados por Carson, destaco o protesto contra os conceitos de autoridade e hierarquia. É comum encontrar nos relatos emergentes a noção de que as estruturas eclesiásticas do modernismo e suas hierarquias são anti-bíblicas. Em igrejas emergentes não se encontram pastores titullares, bispos, etc. As hierarquias são anátema.

Um dos mais reconhecidos líderes do movimento, Brian McLaren, com vários livros escritos, propõe que o cristianismo adote o que ele chama de 'uma ortodoxia generosa'. Em seu livro com este título, Generous Orthodoxy, McLaren declara a essência de seu PLURALISMO:


Por que eu sou um cristão missional, evangélicos, pós protestante, liberal/conservador, místico/poético, bíblico, carismático/contemplativo, fundamentalista/calvinista, anabatista/anglicano, metodista, católico, verde, incarnacional, depressivo-mas-esperançoso, emergente e não-acabado.

Ser todas estas coisas ao mesmo tempo é a essência de sua proposta de "ortodoxia". A expressão desconstruir é freqüente em seus escritos e inclui uma alta dose de INCLUSIVISMO, ilustrado na sentença “Pense em um corte transversal numa árvore. Cada anel representa, não a substituição dos anéis anteriores, não a sua rejeição, mas a sua adoção, a sua inclusão em algo maior”.[iv] Assim se forma o conceito da ‘ortodoxia generosa emergente’, uma espécie de pensamento inclusivista que nunca termina, está sempre emergindo em algo novo. Simon Hall, líder da comunidade Revive, em Leeds, Reino Unido, afirma: “Meu alvo para a comunidade não é ser ‘pós’ tudo. Nós somos evangélicos e carismáticos e liberais e ortodoxos e contemplativos e ligados a justiça social e ao culto alternativo”.[v]

Para Mclaren o que os evangélicos precisam é do novo cristão, de uma nova forma de seguir a Jesus que emerge dos escombros do cristianismo dividido por lutas teológicas, negligência das responsabilidades sociais e da tirania do capitalismo conservador da modernidade. Para ele, "Cada um desses novos desafios [da pós-modernidade] requer que líderes cristãos criem novas formas, novos métodos, novas estruturas – e requer deles que encontrem novo conteúdo, novas idéias, novas verdades e novo significado que sustente os novos desafios. As novas mensagens são incompatíveis com o evangelho do reino que Jesus ensinou. Não, elas são inerentes a ele, mas, previamente, não descobertas, não expressas, talvez não imaginadas".[vi]
Segundo o pensamento emergente, o cristianismo do modernismo foi fundamentado no monoteísmo racional, religião proposicional, com uma sistemática local e uma verdade individualista. Já na era pós-moderna o cristianismo se fundamentará no pluralismo experimental, narrativa mística, fluida, global, e preferência comunal/tribal.

Essa é a redefinição ou desconstrução do conceito MISSIONAL. Segundo McLaren


. . . a fé cristã missional afirma que Jesus não veio fazer algumas pessoas salvas e outras condenadas. Jesus não veio ajudar algumas pessoas a serem corretas e enquanto deixa todas as demais erradas. Jesus não veio para criar outra religião exclusiva – o judaísmo sendo exclusivamente baseado em genética e o cristianismo sendo baseado exclusivamente na crença (o que pode ser um requisito mais difícil do que a genética).[vii]

Nesse sentido, ser missional é ser absolutamente inclusivista.

Como tudo isto pode ser relevante dentro da discussão da neo-ortodoxia e que relação todas estas coisas têm conosco? Um dos mecanismos fundamentais no pensamento emergente é, exatamente, recorrer às categorias da neo-ortodoxia para manter o linguajar bíblico e uma piedade escriturística aparente, negando, entretanto, o fundamento histórico da fé cristã bíblica. Compare as idéias acima com a tabela que Solano publicou em seu último post e você verá um retrato da neo-ortodoxia.

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